ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ⠀Canivete Z
⠀ ⠀ ⠀Onde você estava quando a Reze morreu na praia?
O que o Homem de Hamjadahl faria?
sexta-feira, outubro 24, 2025
O Homem de Hamjadahl - Capítulo III
segunda-feira, outubro 20, 2025
Vermelho e branco, que nem fratura exposta
quarta-feira, setembro 17, 2025
Geralmente em arbustos
quarta-feira, setembro 10, 2025
Nietzsche provavelmente discursou sobre isso
Não deixe que te enganem. Quando você, criança, pôs nome original em todos os animais, plantas e insetos que não conheceu pelo método formal estava efetiva e permanentemente mudando a catalogação canônica de seres pelo homem. Quando o prematuro cientista abençoa suas descobertas com a substantivação acontece ali um milagre que nenhuma biblioteca centenária desfará.
Porque uma vez, antes de receber o processo, as coisas eram sem nome e tudo o que vem depois disso é mera sugestão. De que importa se existem seis novas borboletas avulsas com nomes similares derivados de uma mesma sitcom dos anos noventa? Não é necessário que uma ordem, família, gênero ou espécie as relacione, pelo menos não mais do que uma espiritualidade encontrada no sopro pueril de uma infância curiosa.
A opressão do latim é outra evidência desse crime contra a lalíngua. Naegleria fowleri identificou, se muito, alguns poucos espécimes em laboratório, mas garanto que a ameba-devoradora-de-cérebros trouxe atenção e pânico imediato a muitos. "Não pule nessas águas paradas, há Naegleria fowleri de montão" inspira risada; mas "Sai daí, criatura, a ameba-devoradora-de-cérebros vai esburacar teus miolos" faz pensar em sucessões hereditárias.
Os pequenos indigentes fizeram palavra verdadeira, podem emoldurar, fazer ouvir, condenar quem reprimir. Foi real, porque teve emoção.
sexta-feira, agosto 29, 2025
Por que não uma escaleta?
— Qual o teu nome?
— Daniela, mas meu pai me chama de Dani.
— Cadê ele?
— Foi ali buscar uma pianola.
— Pianola?
— É, era de vovó, mas ela não gosta mais de tocar música. Ela não gosta mais de nada.
— O que aconteceu com ela?
— Como assim?
— Tua avó, ela tá de luto?
— Ah, não, ela morreu um pouco.
— Não tem como morrer um pouco, ou você morre ou não morre.
— Mas ela morreu só um pouco, ainda gosta de sentar na janela quando anda de ônibus.
— Esse é o teu pai?
— Ele mesmo.
***
— Dani, fizesse companhia pro moço?
— É, falando de vovó Socorro. Ele não acreditou em mim quando eu disse que ela morreu um pouco.
— Dissesse que ela tem Alzheimer?
— Não lembro.
quinta-feira, agosto 21, 2025
Shaaaaaw!!!
Não dá nem pra acreditar, estou tremendo. Fui pedir um comprimido de Rivotril para o vizinho e ele me atendeu tremendo também, celular em mãos e olhos esbugalhados como se Deus tivesse sorrido pra ele em sonho. A parte mais surreal é que tudo parece lógico agora que não temos mais que esperar. É claro que Team Cherry demorou quase uma década para fazer o jogo, é claro que eles não queriam desanimar o pessoal reiterando que estavam trabalhando no projeto, é claro que o verdadeiro Silksong foram os amigos que fizemos ao longo do caminho.
Era mais ou menos umas onze e vinte da manhã. Eu estava atrasado para pegar o ônibus e esperava um moto-táxi me buscar em casa para ir até o ponto. Tinha a livestream aberta. Onze e meia, a qualquer momento começaria aquilo que tinha sido anunciado há dois dias atrás. Talvez seja uma entrevista, talvez seja um trailer, talvez não seja nada além de um grande experimento social de uma equipe sadista e dedicada de sociólogos. Mas, de repente, começou. Gameplay, música que só posso assumir de Cristopher Larkin e letras garrafais revelando uma data: quatro de setembro. Caí de joelhos, chorei e encontrei a salvação. Somente mais duas semanas até que essa lenda urbana se tornasse realidade, para que todo o hype que foi criado ao longo do que pareceram milênios se dissolva no mar de zeros e uns que formam o que em breve chamaremos carinhosamente de "skong".
É simplesmente um grande momento.
terça-feira, agosto 19, 2025
Aquilo que vigia do ressonador
No meio da noite, um silêncio grande. Dentro de um quarto, alguns barulhos quaisquer. De repente algo surge no pé da escada. Passa devagar pelos degraus, com vergonha de ser ouvida, mas com uma persistência habitual. Ela sobe aos poucos e em direção à porta trancada. Ouvido na madeira falsa e uma, duas, três batidas. Fortes. A porta abre e não há ninguém por perto. Como brincadeira de criança. O vulto na varanda finge não se importar, é sempre assim. O chamamento foi só cortesia, foi o tom de educação no meio do deboche.
A porta fecha.
Mais batidas. Mais força. Agora se joga contra a barreira. Um, dois, três gritos. Os vizinhos acordam, mas longe dali, tão longe. Ninguém vem. Já não se ouve nada de dentro do quarto. Somente fungadas. É difícil de respirar, a poeira desce junto do medo. É físico e artificial.
Ah, já não existe mais nada do lado de fora; somente uma chance, várias, que formam uma certeza.
A porta fecha de novo.
Já não se ouve nada além de risadinhas que descem a escada. Só uma. No primeiro andar, uma porta de madeira podre forma um triângulo, escancarada, junto à parede. No quarto aberto, um corpo. Ele se contorce e esmaga o chão com o que restou da própria mão direita.
No dia seguinte ainda é noite, ainda é silêncio grande, mas fora de um lugar. Tudo dói e tudo aflige.