O que o Homem de Hamjadahl faria?

terça-feira, agosto 19, 2025

Aquilo que vigia do ressonador

No meio da noite, um silêncio grande. Dentro de um quarto, alguns barulhos quaisquer. De repente algo surge no pé da escada. Passa devagar pelos degraus, com vergonha de ser ouvida, mas com uma persistência habitual. Ela sobe aos poucos e em direção à porta trancada. Ouvido na madeira falsa e uma, duas, três batidas. Fortes. A porta abre e não há ninguém por perto. Como brincadeira de criança. O vulto na varanda finge não se importar, é sempre assim. O chamamento foi só cortesia, foi o tom de educação no meio do deboche.

    A porta fecha.

    Mais batidas. Mais força. Agora se joga contra a barreira. Um, dois, três gritos. Os vizinhos acordam, mas longe dali, tão longe. Ninguém vem. Já não se ouve nada de dentro do quarto. Somente fungadas. É difícil de respirar, a poeira desce junto do medo. É físico e artificial.

    Ah, já não existe mais nada do lado de fora; somente uma chance, várias, que formam uma certeza.

    A porta fecha de novo.

    Já não se ouve nada além de risadinhas que descem a escada. Só uma. No primeiro andar, uma porta de madeira podre forma um triângulo, escancarada, junto à parede. No quarto aberto, um corpo. Ele se contorce e esmaga o chão com o que restou da própria mão direita.

    No dia seguinte ainda é noite, ainda é silêncio grande, mas fora de um lugar. Tudo dói e tudo aflige.

     

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